A dúvida deve ser encarada como uma carraça. Se ela existe, tem de ser removida rapidamente para não trazer a ilusão de que o aluno não é capaz, que atingiu o limite das suas capacidades.
Se sentir que atingiu esse limite:
- Para quê esforçar-se em estar atento?
- Para quê estudar em casa?
- Para quê fazer os exercícios?
- Para quê importar-se com as notas más?
- Como conseguir motivação?
A incompatibilização com as matérias aumenta! Com esta mentalidade, a capacidade reprodutiva das dúvidas (e dos insucessos) exponencializa…!
O percurso normal de um aluno com dúvidas é de entrar eventualmente a meio do ano em explicações e ir aumentando o número de explicações cirurgicamente, na altura de maior aflição (de forma reativa). E assim que os momentos de avaliação acabam, cortam o cordão umbilical ao explicador, deixando o esclarecimento das dúvidas em hiato até à primeira avaliação do próximo ano, levando a uma aprendizagem efémera, frágil e frustrante.
A minha proposta de solução anti-dúvida: Se as dúvidas do ano passado não foram resolvidas e se começa o ano a temer as novas matérias, a solução ideal seria fazer o contrário. Investir nas explicações inicialmente: Na pré-época, em que se esclarecem as dúvidas das bases do ano anterior úteis a este ano letivo (de forma preventiva); se tal não foi possível, logo de início, para pelo menos não deixar propagar as gerações mais recentes de dúvidas. E ir diminuindo as explicações à medida que a imunidade às duvidas (combo confiança-motivação-resiliência-autonomia) assim o permita.
Com esta abordagem, as dúvidas e a falta de confiança dissipam-se, permitindo ao aluno encarar as próximas matérias com naturalidade e até vontade de participar. Ao sentir que compreende ao ritmo em que a matéria é dada – e as notas a acompanharem esse esforço – surge a motivação para se manter ao ritmo do comboio, levando ao estudo autónomo.
Se já apanhaste a febre da dúvida, sabes o quão devastadora pode ser. Se não a apanhaste, evita-a a todo custo!