Pertenço aos millennials, ou geração y, casta de 1982 a 1994. Vimos a tecnologia implementar-se na nossa vida e evoluir a um ritmo alucinante. Aderíamos e adaptávamo-nos rapidamente duma forma muito mais natural do que os nossos progenitores pensariam possível.
A geração seguinte, Z, nascidos entre 1995 a 2010, ou centennials, conviveram com a tecnologia desde o berço e ainda mais importante que isso, com a Internet. Vivem, socializam e aprendem no digital duma forma tão natural que às gerações anteriores causa alguma confusão.
Este choque cíclico entre gerações é previsível e repetir-se-à, simplesmente porque a tecnologia evolui rapidamente e é feita para ser ergonómica e intuitiva.
Se o mundo hoje é digital, que se aceite o digital.
Esta geração cresceu nos pixéis, que são dinâmicos e podemos dizer também viciantes. Mas a palavra viciante tem uma conotação negativa. E errada. Aprender pode ser viciante! Aceitemos essa ânsia de dinamismo (que lhes é incutida pela própria tecnologia) e implementêmo-la no ensino para criar métodos e ferramentas de aprendizagem com maior eficácia. Até porque muitos dos alunos de hoje terão profissões do futuro, que requerem ferramentas atualizadas que deveriam ser fornecidas já.
Mostremos já o lado útil do digital para o desempenho laboral, de forma a que lhes seja inato quando exigido, de futuro.
Hoje em dia, qualquer pessoa pode aprender através de cursos online. É simplesmente inevitável: já há a possibilidade de escolher dispender o nosso tempo com um mentor que sabemos que preparou a informação duma forma cuidada, sequencial e intuitiva (pela classificação dada pelos alunos anteriores e número de alunos) que está à distância de um clique. Maus transmissores de informação simplesmente serão esquecidos ou terão de melhorar.
Então porque não aceitar as explicações online como um método de aprendizagem complementar à escola, feito através da janela pela qual eles mais olham em toda a sua vida?
Infelizmente o online ficou mal visto porque, durante o confinamento foi necessário conceber de forma repentina um método de ensino à distância. Algo novo para alunos e professores. E principalmente para os professores, os obstáculos foram muitos. Mas não façamos do método online um bode expiatório para estes dois anos pandémicos, nem sinónimo de ineficácia de ensino.
Daí que eu ofereça sempre a primeira hora online. Alunos e pais são convidados a assistir. Serve para que ambas as partes percebam que o que torna a aprendizagem eficaz não é o veículo da informação, mas a relação, apetência e conduta tanto do condutor, como do(s) seu(s) passageiro(s) durante o trajeto.